quinta-feira, 2 de julho de 2015

O que eu adoro em ti


O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida
Nem a tua pureza, nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.
(Madrigal Melancólico, Manuel Bandeira)



O que eu adoro em tua natureza é tudo o que você transmite quando está normal, casual. O fato de simplesmente ser você, sem fingimentos, sem jogos, sem fantasias e mascaras, sem imitações alheias. O que eu adoro em você é essa tua natureza simplificada, vertente tua, natural e singular.
Não é o profundo instinto maternal ou paternal, não é as atribuições diárias adquiridas nesse relacionamento de anos, não é as obrigações diárias que a vida nos impôs, o que adoro em você é seu instinto amável, carinhoso, cuidadoso. Esse mesmo instinto que me levou até você sem que eu pudesse impedir.
Em teu flanco aberto como uma ferida que lastima-me e tortura-me por imaginar que talvez essas feridas tenham sido produzidas por mim. Produzidas por minhas imprudências, por minhas mentiras, por minhas promessas não cumpridas. Teu flanco que é metade meu, metade dor, metade de mim mesma.
Nem a tua pureza, nem a tua impureza de nada mais importa, não importa tais explicações, tais divagações se o mais importante não é o que parece ser e sim o que verdadeiramente você é comigo. As circunstancias puras ou impuras nos trouxeram até aqui, mas a determinação de continuarmos juntos deve ser límpida.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me, pois somos feridos e curados, somos companheiros e solitários, somos íntimos e estranhos, nessa ciranda que nos envolvemos e não conseguimos sair.
O que eu adoro em ti, é a vida.
Vida que traduz o amor que sinto por ti.
Jussara Melo

Escrito em 05/01/2013

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