sábado, 7 de novembro de 2015

Quebra-cabeça


Dia desses conversando com uma amiga ela comentou sobre a vida ter uma semelhança incrível com o jogo infantil de quebra-cabeça.
Quando criança eu amava montá-los e quanto mais coloridos e mais peças tinham, mais eu me dedicava até ver o final do jogo. No caso do jogo infantil o ápice é a última peça encaixar exatamente naquele orifício e enfim ver a imagem pronta.
E no caso do quebra-cabeça que é nossa vida?
Perguntei à minha amiga se ela já estava pronta para colocar a última peça do seu jogo e ela prontamente respondeu que não. E devo confessar que eu também nem quero e nem estou pronta para colocar a última peça desse jogo fascinante que é viver.
Muitas vezes teimamos em colocar aquela peça que encontramos em lugares que ela não cabe, forçamos, tentamos encaixá-la, deixamos ali por algum tempo tentando encontrar um modo de fixá-la, mas de nada adianta, ela simplesmente não era daquele jogo, não pertencia àquela caixa, não fazia parte daquela cena. Quando criança misturamos os nossos brinquedos, e fazemos uma bagunça, colocando partes de um jogo em outro. Quando adultos misturamos sentimentos, nem sempre sabemos onde colocar determinadas pessoas em nossas vidas e nem onde elas se encaixam exatamente.
É nessa hora que verificamos que aquela peça, ou bem melhor, aquela pessoa não faz parte daquele jogo que estamos montando.
E será que assim como quando éramos crianças, e tínhamos vários jogos diferentes para montar, assim também é a nossa vida?
Quem sabe...
Talvez durante toda ela tenhamos a oportunidade de abrir novas caixas com jogos diferentes, mais bonitos, coloridos e com muito mais peças. Então, o terminar de um significaria o iniciar de outro.
E como as crianças que com a prática montam e desmontam facilmente seu inocente jogo que sejamos capazes de organizar e montar nosso quebra-cabeça particular, sabendo identificar quais peças cabem em quais jogos.
O ato de desmontá-lo e guardá-lo significa que aquele jogo conhecido não fornece mais entusiasmo, alegria e incentivo para continuar brincando, nem para as crianças e nem para nós os adultos.
O abrir de um novo jogo é a certeza de que a brincadeira ainda não terminou. Pelo contrário, há novas peças, novas cores e formatos a serem encaixados, e quem sabe, e eu espero que sim, esse novo jogo seja mais bonito, mais colorido e dure mais tempo que o outro.
Só saberá montando...



domingo, 1 de novembro de 2015

041 - CAMINHANDO AO TEU LADO VI ESTRELAS


Lembro-me desse dia como se fosse hoje, não era um momento bom em minha vida, estava enferma: fisicamente, emocionalmente e interiormente. Senti que precisava respirar, precisava renascer e recomeçar.
O destino era a praia de Itaguaré na cidade de Bertioga, litoral de São Paulo. O dia estava agradável e mesmo que eu não seja daquelas pessoas que amam ficar tostando na areia, me satisfaço com as longas caminhadas que me energizam e acalma o meu ser.
Nesse dia caminhei quilômetros, e enquanto as ondas massageavam meus pés eu sentia minha alma voltar tranquila de onde nunca deveria ter saído. Quando se caminha sem pressa de voltar podemos apreciar o que a natureza nos oferece gratuitamente, e foi nesse dia que vi pela primeira vez uma mariposa gigante e azul sobrevoando a espuma viva e brilhante daquele mar que me sondava. Fotografei aquele ser magnifico com meus olhos que jamais o esquecerá e pensei nas belezas que perdia quando me negava esse prazer tão simples e gratuito.
Ouvia o suspiro do vento que me dizia: ̶  Eu existo por você, fui criado por você. Sinta-me, refresque-se e apaixone-se por si mesma outra vez!
Era uma sensação de carinho natural que só alguém predisposto a sentir consegue absorver, e eu estava disposta a receber esse carinho outra vez.
O balançar das ondas me trouxeram recordações da minha infância, de quando me importava sentar-me junto a um tronco de árvore caído e apreciar o vai e vem da maré, sem contá-las, sem prestar atenção às pessoas, apenas saboreando o frescor da brisa da manhã e sendo feliz. Coisa de menina que ainda não conhecia o sofrer.
E então percebi que estava de volta ao meu ser interior, e feliz voltei ao meu lar, feliz por ter deixado no mar meus pesos, minhas dores, meus fracassos. Agora me sentia revigorada.
Felizmente a maré não se cansa de trazer o novo onda após onda. E caminhar ao lado Dele foi o melhor que me pode acontecer naquele momento. 
Escrito em 01/11/2015 

sábado, 10 de outubro de 2015

OUTRA SOLUÇÃO

Sobre o medo que as mulheres sentem em dizer “eu te amo”.


Não sei por que às vezes penso e escrevo coisas que sinto, acho que é porque não tenho coragem de dizer que te amo.
Às vezes acho que seria mais fácil chegar perto de você e com uma desculpa qualquer começar a falar, dizer tudo aquilo que sinto e como o desejo ao meu lado.
Mas me falta argumentos ou até mesmo coragem.
Eu o amo, mas sei que irei perdê-lo porque não sou segura para dizer o que sinto.
Agora só me resta te esquecer, só resta imaginar que eu nunca te vi nunca te conheci, pois eu sei que não existe outra solução.


Hoje gostaria muito de falar sobre esses cinco pontos destacados neste texto em negrito. Muitas de nós já tiveram essas sensações um dia ou pior ainda teremos.
Escrever também para mim é muito mais seguro que falar, isso em relação aos meus sentimentos, pois a folha não acusa, não aconselha, não renega e não julga ninguém e é por esse motivo e muitos outros que muitas mulheres preferem guardar seus sentimentos em gavetas a expor e ser humilhada ou qualquer outra coisa que a faça sofrer.
Dizer à pessoa amada que a ama não é fácil, eu particularmente prefiro ouvir primeiro, confesso que é um ato de coragem. Eu penso muito antes de assumir um sentimento como esse e mesmo quando falam algumas mulheres não repetem. A mulher tem como fama a de falar demais, mas nesse sentido algumas de nós nos calamos, não é mesmo?
A falta de coragem feminina nesse caso não pode ser generalizada, muitas hoje em dia assumem os seus sentimentos, gritam nas redes de relacionamento como o Facebook colocando frases que expressam tudo o que seu coração e corpo querem dizer. Acredito essa ser uma forma indireta que a mulher também encontra para não guardar esse, que deveria ser um sentimento tão lindo, mas que por muitas vezes nos provoca tantas dores.
E acabamos por perder, perdemos o tempo hábil do amor, perdemos oportunidade de sermos felizes porque não demonstramos o que sentimos. O mundo agora é tão diferente, tudo é muito rápido e o amor também quando não alcançado ganha asas e voa para bem longe.
E depois ficamos imaginando como seria se tivéssemos vivido esse amor, ficamos num sofrimento sem fim tentando esquecer, nos questionamos, procuramos respostas e ouvimos conselhos, mas geralmente o que desejamos realmente é que tivéssemos feito tudo diferente, amado mais e tido menos medo.
Agir com o coração, ouvindo a razão pode ser um bom começo.

Texto escrito em:
30/04/2011

sábado, 26 de setembro de 2015

Os imortais – volume 2

Os imortais – volume 2
Para eles, o verdadeiro amor não tem fim.

Lua azul
Ever é agora uma imortal. Iniciada nesse mundo desconhecido e sedutor por seu eterno amado, Damen. Ela adquiriu novas habilidades após o grave acidente que sofreu. Damen a salvou e por causa disso ela agora era igual a ele. O problema é que algumas coisas horríveis começaram a acontecer com seu amado, enquanto ela se sentia cada vez mais forte ele definhava e perdia todos seus poderes e memória.
Ever decide viajar a dimensão mística de Summerland, conhece a história de Damen e aos segredos que regem o tempo. A partir de ai deverá tomar uma difícil decisão ao voltar ao passado e ter o destino de seu amado em suas mãos.
Alyson Noel autora do Best-seller “Para sempre” nesse segundo volume “Lua azul” nos entrega às sensações, as dúvidas, os medos da personagem Ever, uma adolescente que inesperadamente começa a conviver com seres de um mundo irreal, que descobre que sua história vai além do agora, que o passado é como uma maldição e que é culpada pela morte de toda sua família, mesmo não tendo feito absolutamente nada para que isso acontecesse.
A pergunta principal da obra é: O que você faria se tivesse a oportunidade de voltar ao tempo e desfazer o mal?
É com essa pergunta que a autora faz a personagem conviver grande parte da obra. O final é inesperado e da aos leitores a certeza que a história ainda não chegou ao seu final.
Um trecho desse livro que me chamou muito a atenção foi quando a personagem decide mudar sua história “- Ouça, não vou mentir. Tudo está acontecendo muito mais rápido do que eu esperava, e tinha a esperança de ter mais tempo para... para concluir as coisas”.
O que o personagem sente e como age é muito parecido com o modo como agimos, porém com uma grande diferença, agora Ever é imortal e tem todo o tempo do mundo para fazer a coisa certa.
Um livro que com certeza vai agradar muito às leitoras que apreciam uma literatura fantástica, nele você vai sair desse mundo mortal e entrar num mundo onde viver é eterno.
Boa leitura!


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Conto: O ANEL


O ANEL
João conheceu a Mariana tempos antes de conhecer a mulher que amaria e viveria por toda uma vida. Ela era linda e filha de uma das famílias mais influentes da cidade do Rio de Janeiro, ele sabia que relacionar-se com ela seria impossível e a jovem amargurava-se por ser tão rica, tão linda e tão infeliz por não poder estar ao lado daquele que era o homem da sua vida.
Se não poderia ser a esposa de João não seria de nenhum outro, pensava Mariana nas longas madrugadas que chorava sem ser ouvida, queria viver entre os tecidos do alfaiate simples de olhos verdes e sorriso fácil que a encantou desde o início. A decisão de tornar-se freira e enclausurar-se por toda a vida tomou de espanto seus pais que já imaginavam a casa cheia de netos quando a filha desposasse um dos herdeiros mais cobiçados da cidade. Porém Mariana não pensava obedecer as normas daquela sociedade sem amor, sem liberdade e sem opção de escolha.
Mariana procurou o ourives mais respeitado da cidade e encomendou aquilo que seria a única lembrança que João teria de sua existência. Pediu que fizesse um anel e que gravasse nele as iniciais de seus nomes. Quando Mariana o colocou em suas mãos o menino imediatamente se transformou em homem e as primeiras lágrimas brotaram acusadoras lembrando-o que ele nunca seria suficientemente bom para ela.
As portas do convento agora detinham toda beleza, toda juventude, todos os sonhos da moça sonhadora. Não seria mais vista, nem amada, nem acariciada. Os anos mostrariam a Mariana o trabalho árduo de sua escolha, ela se acostumaria a viver sem João, serviria humildemente ao que a criou.
João olhava o anel e o admirava sempre que seus dedos tocavam as iniciais de seus nomes João e Mariana. O anel não o deixava esquecer um só instante daquela menina rica que por amor se negou ao mundo. Aos poucos o trabalho começou a tomar grande tempo na vida daquele homem esforçado e talentoso, sabia que era um excelente alfaiate, mas o que recebia era pouco comparado ao que merecia. Jamais conseguiria tirar Mariana do convento e convencer seus pais de os deixarem viver aquele amor puro e verdadeiro. Teria que esquecê-la. Precisava se afastar completamente daquelas ruas que a lembravam, guardou todo o dinheiro que pode e tomou o ônibus que o levaria a São Paulo e também ao seu futuro. Junto no seu dedo anular levou o anel, levou Mariana.
A cidade de São Paulo o recebeu agitada, aqui ele não teria tempo para pensar em seu infortúnio. Abriu uma pequena alfaiataria e conheceu a Ângela. Ela não era tão bonita quanto Mariana, mas era mulher séria e trabalhadora, baixa de estatura, mas alta em determinação. Em pouco tempo os dois já estavam planejando o casamento, os pais portugueses da moça não a queriam namorando por muito tempo e assim João quando viu em uma tarde chuvosa estava com Ângela se casando. Ele tirou o anel da mão esquerda e o colocou na direita e o substituiu por uma aliança barata de oro que pode comprar com as pequenas economias que fez.
Ângela não entendia a fixação do esposo por aquele anel até que um dia quando João estava adormecido ela o inspecionou e viu as iniciais gravadas, letras que não compreendia ainda o significado, letras importantes para o homem que agora era seu esposo.
Eles tiveram quatro filhos, quatro pequenas joias que fizeram seus dias mais felizes. Ângela porem, passava os dias desejando o anel, desejando que ele o tirasse e o desse a ela, desejando que seu esposo se livrasse dele, ela não sabia ainda o motivo, mas aquele anel a incomodava. João não suportava mais os questionamentos da esposa e resolvera contar a história contida naquela joia, isso não fora uma decisão sábia, pois a partir daquele dia o anel passou a ser uma obsessão na vida daquela mulher.
Ele a pegava chorando pelas madrugadas e quando lhe perguntava o que estava acontecendo apenas ouvia.... — O anel. Foi então que depois de dezoito anos de casamento ele resolveu tirar aquilo que era sua única lembrança da menina mais linda que conhecera, e o deu à sua primogênita fazendo-a jurar que só o daria para o primeiro filho que tivesse.
João se livrou da cobrança diária da esposa determinada a destruir aquele que era seu maior temor matrimonial. A filha agora padecia o fardo de ser a guardiã daquela joia. E como fizera uma promessa ao pai a cumpriria, o anel só sairia do seu dedo quando sua filha tivesse dezoito anos também.
E como Ângela não podia ter o anel comprava joias e as guardava. João achou que felizmente depois de cinquenta anos de casados a esposa havia esquecido a história do anel, mas ele estava enganado. Ela se lembrada dele todos os dias da sua vida.
Quem o possuía agora era a neta mais velha, a primogênita o ganhara como a mãe havia prometido ao seu avô. E ela o usava como símbolo familiar sem saber a história que a joia guardava há mais de cinquenta anos.
Quando João faleceu a avó pediu para que a neta a acompanhasse até seu túmulo, seus dedos trêmulos tocavam aquele que era seu maior desejo de destruição, ela o queria para consumir, para derrete-lo até tornar-se nada. Seu esposo estava morto, mas o anel ainda estava ali intacto nos dedos de sua amada neta. Um pensamento único a possuía... — Quero esse anel pra mim.
Julia visitava a avó todo fim de semana. Numa dessas tardes, mais precisamente a última que passariam juntas a avó estava radiante ao receber a neta, e avisou: — Hoje tenho uma surpresa pra você!
            Julia viu quando a avó entrou em seu quarto e de lá saiu com um saco que parecia estar cheio de moedas. Ela disse orgulhosa: — Isso é tudo que consegui guardar em todos esses anos de vida e olhando para o anel em seu dedo disse: — Eu sempre o desejei, troco todas essas joias por ele!
            Julia então lembrou-se das palavras de sua mãe quando o ganhou. Chorou porque não poderia se livrar do anel sem antes deixar as memórias de João ir com ele.
            Naquela mesma semana a avó faleceu, Julia tirou o anel do dedo e guardou numa caixinha. Meses depois quando quis usá-lo de novo procurou-o e já não mais o encontrou.
  

 Por Jussara Melo

domingo, 23 de agosto de 2015

O preço do amanhã

Sugestão de filme: O preço do amanhã. 109 minutos, idiomas: inglês, espanhol e português, não recomendado para menores de 12 anos, gênero; ação futurista.



Viva para sempre ou morra tentando.
Justin Timberlake, Amanda Seyfried e Olivia Wide estrelam este intrigante filme de ação futurística. Estamos num futuro próximo e a ciência já descobriu a chave para a imortalidade humana, mas neste mundo, apenas os ricos vivem por muito mais anos, porque tempo é dinheiro.
Quando o jovem pobre (Timberlake) é falsamente acusado de assassinato, ele precisa descobrir um modo para destruir o sistema e roubar tempo suficiente para viver mais um dia ou morrer tentando.
Esta é a sinopse do filme, e o que ela deixa de comentar é que além da ação que vem presente durante todo o tempo, vemos também contada uma linda história de amor. E claro uma ótima releitura do filme Hobin Wood.
Você consegue se imaginar controlando o seu tempo de vida a todo o momento?
Pois os protagonistas dessa fascinante história fazem isso o tempo todo. Claro que não vou contar todo o filme, apenas comentar que fiquei angustiada com a ideia disso um dia acontecer com a humanidade.
A parte boa...você jovem aos 25 anos para sempre.
A parte ruim... para isso você teria que ser muito rico para comprar tempo de vida em bancos que o vendiam a preços exorbitantes.
A parte infernal... você ter um relógio no seu braço que marca o tempo todo o tempo que ainda te resta de vida.
A parte que mais gostei... O amor não deixa de estar presente nem nesse mundo onde a moeda de troca é o seu próprio tempo de vida.
Espero que assistam e gostem da dica.




quinta-feira, 20 de agosto de 2015

040 - Terra seca


Terra seca... falta água... falta tudo.
Rachaduras... marcas visíveis do descaso
Do abandono... falta a água falta a vida.
Eu teimosa... finco minhas raízes nessa crosta
Nessas fincas que absorvem o sereno noturno
E me alimento dele, aproveito o pouco que me é servido...
E sobrevivo.... respiro e vivo,
Arrebento com meu caule a terra seca,
Me movendo pelos pequenos espaços que consigo passar
E sinto o calor do sol que me traz de novo à vida
E renasço da terra seca que me deixaram caída
Para nascer em mim novas folhas
Dessa vez mais verdes
Dessa vez mais fortes
Capazes de suportar o calor e o vento
Que soprar ....
Dessa vez darei meus frutos mais doces
Mais suculentos
Pra você provar que ainda nessa terra seca
Há vida. Jussara Melo Escritora