segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Minhas mãos ainda estão molhadas

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas (Cecília Meireles)



Dos meus olhos vejo a imensidão azul, sinto o aroma que inebria e resgato meu sonho marítimo de dentro da minha alma serena. 
Quando enfim consegui enfrentar o mar e ali derrubar vários medos que me perseguiam por dias e anos, mesmo assim, em alguns momentos pensava em você, que em terra firme e distante talvez estivesse pensando em mim.
Em alguns momentos sozinha no convés daquele imenso barco me senti uma formiguinha navegando numa folha perdida naquele imenso mundo molhado e mesmo assim pensei em você que em terra firme e seguro nem imaginava que tão distante alguém pensava e pensava em tudo que poderia ter acontecido e não aconteceu.
Assim são os amores não realizados, povoam nossa mente e nosso coração por tempo demais, por infinitas horas, por segundos eternos... Sem fim... Sem término de dor... Sem esperança.
Falar do amor inacabado, mal resolvido é garantia certa de lágrimas escorrendo não apenas por meus olhos, mas talvez, quem sabe por olhos desconhecidos que eu nunca verei e nunca saberei.
Falar do amor incompreendido causa em mim aquela velha sensação de impotência que causa também em você que agora em algum lugar desse mundo está lendo essa forma de responder à poeta que meus dedos também já molharam areias desertas.
Areia de coração duro, medroso, inconsequente. Areia que ainda tem medo de amar, medo de dividir e arriscar sair dessa praia e se aventurar no mar.
Metáfora?
Nem todo mundo compreende as metáforas de uma poetisa que ao tratar seu amor como areia o deixa incógnito e protegido.
Porque até na dor a mulher que ama protege o homem que tanto deseja.







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